Um porto para as idéias que navegam à deriva nesta mente inquieta.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Assistam: Os Educadores

Ultimamente o tempo tem sido limitado para postar mais idéias por aqui.
Sendo assim, tenho de ser breve.

Um filme para assistir: "Os educadores", ou "The Edukators"

Longe da pasteurização do cinema americano, este é um filme alemão (infelizmente o que alugamos era dublado) que trata da europa atual, da desigualdade social, de ética, ideiais e de revolução.

Não vimos grandes lances relacionados à linguagem do cinema, mas o filme prende a atenção e vale para colocar nosso cérebro para funcionar, frente a tantas tentativas de entorpecê-lo.


Abraços

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Sobre a violência

Tenho pensado ultimamente na questão da violência. Principalmente sobre a violência urbana, mas tentando abordá-la um pouco mais além das simples constatações.

Aqui em Limeira nos últimos anos, é verdade que já não tínhamos uma situação de calmaria – como logo vem à cabeça quando pensamos numa cidade do interior – mas de um tempo pra cá a coisa piorou, ou apenas ficou mais evidente. É claro que isso não é um fenômeno localizado. E nem vou entrar na questão da “midiatização” do crime, que envolve muitas outras. Vou focar no que mais me impressiona em tudo isso: a banalidade.

Tudo tem sido muito simples: é como aquele ditado, que versa sobre como é fácil roubar um doce de uma criança. A diferença é que, se a criança não entrega o doce, ou mesmo se assusta com a abordagem, ela é assassinada. Muitas vezes com um tiro à queima-roupa, não raro direto na cabeça.

Simplicidade e facilidade: assaltos à mão armada agora são feitos de moto. A vítima é abordada, roubada, e em instantes os ladrões desaparecem. Tudo é muito prático e rápido. Não tem nem o problema do congestionamento do trânsito.

A violência também é on-line: te ligam, ameaçam seqüestrar um parente próximo, e você, coagido, compra créditos de celular pré-pago para os criminosos que muitas vezes estão dentro dos presídios. Impressionante como é fácil.

Penso, cá com meus botões, que a banalidade da violência é reflexo de várias outras banalidades.

Uma delas é a banalidade do consumo. As pessoas são bombardeadas por propaganda 24 horas por dia, e induzidas a ter o que muitas vezes não precisam. E a própria sociedade cobra isso de você, que deve trocar de carro todo ano, arrumar um bom emprego e comprar um celular último-tipo.

Como vi naquele reality-show da televisão, em que o vencedor já sai todo formatado: cargo de executivo alto-escalão, carro zero, notebook, celular, matrícula num curso de MBA, entre outros acessórios. E me disseram que esse venceu na vida.

Tem até gente comprando câmera fotográfica digital sem ter acesso a um computador para ver, organizar e guardar suas fotos. É que vendo a propaganda na televisão, isto parece muito simples.

Fico ainda observando algumas igrejas, que embutem na cabeça daquele pobre-coitado que não tem nem comida no prato: se ele realmente tiver fé (e pagar por este serviço espiritual prestado), vai subir na vida e Deus lhe proporcionará a bênção de ter um bom carro na garagem, uma casa espaçosa e um apartamento na praia. Impressionante como é fácil.

Não há como negar que a violência é resultado de um conjunto enorme de fatores. E para resolver esta equação complicada, não basta montar um bom aparato policial. Isso é simples demais.

Como fica a violência do mercado e da propaganda? E a violência dos padrões de conduta e consumo cobrados pela sociedade? E a violência da coação espiritual? Perto de tudo isso, a violência urbana é apenas a ponta do iceberg.

Não basta também relembrar aquele velho chavão de que a solução para estes problemas é “investir na educação”, “aumentar o emprego”, ou mesmo “acabar com a corrupção”. Velhas bobagens.

O problema é estrutural e vai muito além do que posso cogitar aqui neste breve texto-quase-desabafo. O Brasil precisa rever os seus modelos: sociais, econômicos, políticos e culturais.

Impressionante como é difícil.

Iniciando

Sou novo nessa coisa de blog.
Vamos chamar isto de “diário eletrônico pessoal e público”?

Ultimamente eu e minha companheira temos conversado – muito mais do que já conversávamos – sobre várias coisas: debatemos sobre o que nos deixa indignados, sobre o que é bom de verdade na vida, sobre o Brasil, sobre a América Latina, sobre o destino do Mundo.

E então fiz a conexão: porquê não colocar tudo isso no papel (ou na rede)? De nada adianta estas idéias ficarem rodando dentro de casa. Deve ser interessante colocá-las em público, para enriquecermos o debate. Ou apenas para tirá-las da cabeça e abrir espaço para outros pensamentos.

São mesmo Idéias em Retalhos:

Podem ser desconexas, podem formar uma enorme colagem. Não temos compromisso com um texto formal, com idéias exatamente claras. O que importa agora é reaproveitar fragmentos de nossos diálogos, e ver no que vai dar.

Tá certo, confesso que o título foi inspirado nas coisas de moda que ela faz.
Mas deixa pra lá, quero reciclar meu vocabulário de arquiteto: ficaria esquisito se fosse “Idéias em Tijolos”. Pesado demais.